O ser humano, criado à imagem e semelhança
de Deus, foi dotado de razão, consciência e vontade. No entanto, ao longo da
história bíblica e da experiência humana, um ponto frágil tem se revelado como constante
brecha para o pecado: o apetite.
Ellen G. White, com sabedoria e
discernimento espiritual, declarou que “o mais forte poder de Satanás sobre o
homem exerce-se através do apetite.” E ao refletirmos sobre essa afirmação,
percebemos como ela é comprovada desde o Éden.
Foi através do apetite que Eva caiu, ao
desejar o fruto proibido (Gênesis 3). Satanás não usou força, nem argumentos
complexos — apenas uma sugestão sutil, revestida de aparência agradável e
desejo físico. Ali, o apetite se tornou o primeiro campo de batalha da
humanidade — e foi perdido. Mais tarde, em contraste, Jesus no deserto venceu
justamente onde Adão e Eva fracassaram: ao rejeitar transformar pedras em pão
para satisfazer a fome, Ele mostrou que a vontade de Deus está acima do impulso
do estômago (Mateus 4:4).
Essa batalha, porém, não terminou ali.
Todos os dias, somos tentados a ceder à comida em excesso, aos desejos
impulsivos e ao consumo sem consciência. Ellen White alerta que, ao entregarmos
o domínio da nossa vontade ao apetite, abrimos espaço para Satanás moldar
nossas escolhas, embotar nossos pensamentos e controlar nossa vida.
Mas por que o apetite tem tanto poder?
Porque ele atua sobre uma necessidade legítima, porém distorcida. Comer é
essencial — mas quando o desejo pela comida se sobrepõe à razão, à saúde e à
comunhão com Deus, torna-se um ídolo. E como todo ídolo, exige sacrifício:
nossa saúde, nossa energia, nossa mente e, muitas vezes, nossa salvação.
O apetite descontrolado se transforma então
em uma ferramenta de manipulação espiritual. A mente sobrecarregada, o corpo
adoecido, a vontade enfraquecida... tudo isso cria o terreno ideal para que
outras tentações se instalem: preguiça, irritabilidade, gula, luxúria,
desânimo, desorganização. E assim, uma pequena concessão se torna um grande
desvio.
No entanto, há esperança. O mesmo Cristo
que venceu o apetite no deserto promete nos capacitar com o fruto do Espírito
chamado domínio próprio (temperança) (Gálatas 5:22-23). Com Ele, podemos vencer
— não por força própria, mas pela graça que fortalece a vontade e ilumina a
consciência.
A temperança, portanto, é um escudo espiritual. Não se trata apenas de saúde física, mas de santidade. Quando controlamos o apetite, estamos reafirmando que é Deus quem reina em nós, não o estômago, nem os impulsos, nem Satanás.
Oração para Hoje
“Senhor, ajuda-me a viver para Tua glória,
inclusive em minha alimentação. Que o meu corpo seja templo do Teu Espírito, e
que cada decisão — por menor que pareça — reflita a Tua presença reinando em
mim. Dá-me o fruto da temperança. Em nome de Jesus, amém.”

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